Cavaleiros do Apocalipse – Wikipédia, a enciclopédia livre

 Nota: Para outros significados, veja Cavaleiros do Apocalipse (desambiguação).
Os quatro Cavaleiros do Apocalipse, por Viktor Vasnetsov (1887).
Os quatro Cavaleiros do Apocalipse são respectivamente fome, guerra, praga e morte. Pintura de Paweł Brodzisz, uma pessoa envolvida de arte - dimensões de 50 mm x 77 mm, no o Museu de Arte Profissional Miniatura Henryk Jan Dominiak em Tychy.[1]

Os Quatro Cavaleiros são personagens descritos na terceira visão profética do Apóstolo João no livro bíblico de Revelação ou Apocalipse. Os quatro cavaleiros do apocalipse são respectivamente conquista, guerra, fome e morte, que para os cristãos irão acontecer antes do fim de todas as coisas.

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Após contemplar toda a estrutura da organização celestial de Deus, João vê em sua mão direita um rolo (manuscrito enrolado em formato cilíndrico) com sete selos (Apocalipse 5:1–2.) Em seguida Jesus Cristo (descrito como o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, um cordeiro em pé, como se tivesse sido morto) tira o rolo da mão direita daquele que está assentado sobre o trono (Apocalipse 5:5–9). Esses cavaleiros começam sua cavalgada por ocasião da abertura do primeiro desses "sete selos" e a cada selo aberto um cavaleiro aparece no total de quatro (Apocalipse 6:1-Apocalipse 7:17). Há interpretações que associam esses eventos com os descritos nas visões do profeta Daniel que se iniciam no final das 70 semanas e cavalgam até a Grande tribulação findando no Armagedom.

Simbologia relacionada

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Albrecht Dürer - Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

Como em outros livros de profetas bíblicos como Isaías, Daniel e Ezequiel aspectos da narrativa como local, tempo, quantidade, personagens envolvidos e referências são vistos de forma simbólica e muitas vezes interpretados de maneira relacionada a outras passagens bíblicas e acontecimentos passados ou atuais.

  • O número quatro na simbologia numérica bíblica representa quadrangulação em simetria, universalidade ou totalidade simétrica,[2] como em quatro cantos da Terra, quatro ventos. Vemos isso também em outros textos (Apocalipse 4:6; Apocalipse 7:1–2; Apocalipse 9:14; Apocalipse 20:8; Apocalipse 21:16), provavelmente tornando esses quatro Cavaleiros parte de um único evento relacionado.
  • Cavalos e cavaleiros: Em muitas culturas, o cavalo é símbolo de impetuosidade e impulsividade relacionadas com os desejos humanos, além de ser associado com água e fogo por serem muitas vezes incontroláveis. Também é tido como a relação com o divino servindo de guia de almas, sendo muitas vezes enterrados junto com seus donos. Exprime também vigor e virilidade, por vezes simbolizando a juventude. No contexto histórico, principalmente nos campos de batalha, o cavalo era treinado muitas vezes para matar soldados com suas patas ou sua boca,[3] portanto nessa narrativa esses cavalos e seus cavaleiros podem representar (e muitas interpretações os descrevem assim) uma cavalgada (campanha) com toques de guerra trazendo suas consequências por onde passam.
  • As cores dos cavalos dizem muito dos respectivos cavaleiros como:
    • Branco - Pureza, santidade, régio;
    • Vermelho - Sangue, assassinato, guerra;
    • Preto - Obscuridade, peste, maldição;
    • Amarelo - Corpo em decomposição, morte.
  • Seus apetrechos mostram característica a respeito do papel que desempenham ou a consequência de sua cavalgada:
    • Arco e coroa - Símbolo da guerra e do poder;[4]
    • Espada - Principal arma dos exércitos antigos, usada como símbolo de assassinato;
    • Balança - No contexto denota desigualdade ou injustiça (no caso de alimento);
    • Jarra - Traz a peste dentro.
  • A Ordem em que são chamados revela uma sucessão progressiva, pois eles não são chamados ao mesmo tempo, levando muitos a associar essa visão com acontecimentos do início do século XX, chegando à conclusão que o final das "Setenta Semanas" seria 1914, o primeiro cavaleiro Jesus Cristo e os outros cavaleiros sinais de sua presença.(Mateus 24:3–21)

Ver também: 1914 para as Testemunhas de Jeová, Fim dos tempos para os Meninos de Deus

  • Quem os chama são quatro "criaturas viventes cheias de olhos" (Apocalipse 4:6b) ou querubins que estão "em volta do trono, em cada um dos seus lados"[5] (i.e do trono de Deus). É provável que não se refira a um número literal, mas representa toda a classe angelical desse grupo, ou dos que desempenham a mesma função. Cada um é descrito como tendo a cabeça, ou aparência, distinta (Apocalipse 4:7).
    • …a primeira (…) semelhante a um leão - O leão é símbolo do poder e da justiça.[4] É também associado ao atributo divino da justiça (Oseias 5:14; Oseias 11:10; Oseias 13:7–9). Na visão profética de Ezequiel sobre o templo de Deus, ao redor do trono ele também vê quatro querubins com quatro faces, sendo uma dessas face de leão (Ezequiel 10:14).
    • …segunda (…) semelhante a um novilho (ou um touro) - Símbolo de força,[4] também representado como um atributo divino (Salmos 62:11; Isaías 40:26) e uma das faces dos querubins vistos por Ezequiel (Ezequiel 1:10).
    • …terceira (…) tem rosto semelhante ao de homem - O homem dentre as criações é o único semelhante a Deus (Gênesis 1:26) e capaz de amar ou de imitar essa qualidade inerente dele (I João 4:8).
    • …quarta (…) semelhante a uma águia voando - Dentre outras atribuições a águia é bastante conhecida por sua excelente visão (Jó 39:29) ou como símbolo de sabedoria, perspicácia ou discernimento.[4] Também é símbolo da sabedoria divina e uma das faces dos querubins vistos por Ezequiel.

Como um todo esses querubins podem representar a ação ou manifestação conjunta (ou completa) dos atributos principais de Deus, tanto que são eles que chamam os quatro cavaleiros.

  • Sete selos (ou sinete) e o rolo - o selo era usado como sinal de autenticidade ou garantia a privacidade do documento levando uma marca.[6] O número sete é considerado um número sagrado e representa inteireza[4] e o rolo (ou livro) era usado como símbolo de decreto, pronunciação ou onde estão anotados[4] o conjunto desses símbolos denotam que esse rolo contém uma pronunciação inteiramente autêntica de acordo com seu contexto bíblico.

Características individuais

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Os quatro Cavaleiros do Apocalipse representados no Apocalipse do Lorvão, século XII

Diz a Bíblia que ele é o mais Seguido de todos, o que remete a Zacarias 10:3-5, onde o profeta reúne seu "rebanho" e segue após ser "coroado", travando batalhas contra seus inimigos (pregando). Este cavaleiro faz pensar nos partos ("Feras da terra"), cuja arma característica era o arco, terror do mundo romano no século I (cf. Dt 7,22; Jr 15,2-4 e 50,17; Ez 34,28 e 9, 13-21)[carece de fontes?]

Observação: A palavra "arco" pode significar (em lugar do "arco-e-flecha" representado na figura acima) um arco da morte, fenômeno de muita representatividade simbólica, também associado por seitas pagãs, segundo estudiosos, à figura do Anticristo. O arco-íris, nessa esteira, representaria a ligação da mente do homem com as forças cósmicas - as quais, de acordo com a Bíblia (Efésios 6:12), seriam "forças espirituais da maldade".[7]

O Cavaleiro do Cavalo Vermelho, que tem uma Grande Espada, símbolo das guerras sangrentas. Acredita-se que o mesmo representa os flagelos, os meios pelos quais Deus castigaria e oprimiria os adoradores da besta e do falso profeta.

O Cavaleiro do Cavalo Negro, carrega consigo uma Balança e traz com isso, segundo uns, a justiça (proteção aos justos), segundo outros (a maioria dos estudiosos) o colapso econômico e a fome, pois a balança seria símbolo dos alimentos racionados e dos preços exorbitantes.

A fim de comparação, é válido destacar que o denário era uma pequena moeda de prata que era a de maior circulação no Império Romano. É geralmente aceito que no fim da República Romana e no início do Principado, o denário correspondia ao salário diário de um trabalhador. Com um denário era possível comprar em torno de 8 quilos de pão.

O Cavaleiro do Cavalo Baio (amarelo-esverdeado: a cor do cadáver que se decompõe), traz consigo a morte, a privação do plano terrestre, sendo ele o último cavaleiro.

A tradição popular perpetuou a ideia de que este último animal seria uma égua esquálida e não um cavalo. A citação do Inferno que a acompanha é, tradicionalmente, representada pelo Leviatã a engolir as vítimas, destinadas à morte eterna.

Os cavaleiros e suas cavalgaduras

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Os cavaleiros e seus cavalos, tal qual são descritos na Bíblia:

Cor do Cavalo Simbolismo da cor Cavaleiro Poder Simbolismo do Cavaleiro Descrição original grega
Branco/cinza Falsa inocência/ paz disfarçada.[carece de fontes?] Tem um arco (ou um arco-íris), uma coroa e uma máscara. Conquistar. Anticristo, o falso Cristo, a falsa religião. ίππος λευκός (híppos leukós), o Cavalo Branco
Vermelho O sangue derramado no campo de batalha. Porta uma espada. Traz a guerra. Guerra, destruição ίππος πυρρός (híppos pyrrós), o flamejante Cavalo vermelho
Preto Escuridão, planícies desertas Porta uma balança Escassez de alimentos Penúria, fome, trocas injustas ίππος μέλας (híppos mélas), o Cavalo Negro
Amarelo A cor do cadáver que se decompõe Porta um tridente, um alfanje ou uma gadanha Destruir pela guerra, pela fome, pela peste, etc. Morte, doenças ίππος χλωρός, θάνατος (híppos khlōrós, thánatos), o Cavalo verde pálido, chamado Peste

NB: Mesmo que, muitas vezes, o cavaleiro branco seja interpretado como o Anticristo, o livro do Apocalipse não o nomeia como tal.

Algumas interpretações

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Sendo um livro profético, o Apocalipse usa de linguagem simbólica para representar diferentes fatos. Tal fato não é diferente com relação aos quatro cavaleiros. Tal linguagem simbólica permite grande número de interpretações [1], por diferentes pessoas e diferentes correntes cristãs. Como principais interpretações podem ser consideradas as seguintes, por serem as que tem maior quantidade de adeptos:

  • Visão temporal: Os quatro cavaleiros representariam eventos da época em que a "profecia" teria sido escrita. O primeiro cavaleiro representaria a esperança de derrota dos romanos (e consequentemente o término da perseguição aos cristãos) por povos vindos do oriente, provavelmente os alanos, que eram famosos arqueiros (notar a descrição de Apocalipse 6:2, que diz "cavaleiro com um arco"). Os demais cavaleiros indicariam a queda dos romanos. (esta interpretação é a que tem menos adeptos religiosos, porém a mais aceita nos meios céticos).
  • Visão futurista: A mais comum entre os cristãos protestantes. Os quatro cavaleiros representariam os quatro primeiros eventos do "fim do mundo". O primeiro seria um grande líder que conquistaria grande poder e autoridade (motivo pelo qual muitos o identificam como o AntiCristo), o segundo significaria uma "guerra mundial" entre o homem representado pelo primeiro cavaleiro e aqueles que não aceitariam a sua dominação, o terceiro seria a "fome" ou racionamento de alimentos, causada por estes se tornarem raros com a guerra, e o quarto seria uma grande crise de mortalidade, como uma consequência dos cavaleiros anteriores.
  • Visão interpretativa: Os quatro cavaleiros representariam os períodos históricos da igreja cristã. Onde o primeiro cavaleiro seria o "cristianismo original", que "conquistaria" grande número de seguidores, após isto, os muitos seguidores de Cristo se separariam e começariam a brigar ("guerrear") pelo direito de interpretar os ensinos e as crenças cristãs (muitos consideram como o período dos primeiros Concílios), o terceiro cavaleiro representaria a "fome pela Palavra de Deus" (ver Amós 8. 11), ocasionada pelos muitos líderes que ocultariam tal ensino (muitos considerando este período como a época da Idade Média) e o último cavaleiro seria a "morte espiritual", causada pela propagação de falsas doutrinas e religiões que substituiriam o verdadeiro cristianismo (muitos considerando que tal período se iniciaria com a Reforma protestante e seguiria até o "fim dos tempos"), o que levariam as pessoas diretamente para o "inferno" (notar a descrição deste cavaleiro de Apocalipse 6:8 que diz: "e o inferno o seguia").[8]

Referências

  1. «MAL124 Czterej jeźdźcy Apokalipsy» (em polaco). muzeumminiaturowejsztukiprofesjonalnejhenrykjandominiak.eu. Consultado em 7 de fevereiro de 2025 
  2. Javane, F; Bunker, D. Numerologia e o Triângulo Divino, a. [S.l.]: Pensamento. pp. 113, 117. ISBN 85-315-0786-3 
  3. Chevitarese, AL; Cornelli, G. Judaismo, Cristianismo e Heleninsmo. [S.l.]: Annablume. 145 páginas. ISBN 85-7419-714-9 
  4. a b c d e f Lexikon, H (1998). Dicionário de símbolos. [S.l.]: Cultrix. pp. 22, 183, 125, 121, 193, 14. ISBN 85-316-0129-0 
  5. «Apocalipse 4:6 Bíblia na Linguagem de Hoje On-line». www.bibliaonline.net 
  6. Mallalieu, H (1999). História ilustrada das antiguidades. [S.l.]: Nobel. 339 páginas. ISBN 85-213-1049-8 
  7. «HugeDomains.com - OApocalipse.com is for sale (O Apocalipse)». www.oapocalipse.com 
  8. http://www.4tons.com/7816.doc
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